Afinal, o que há de errado com o Brasil?

O FMI acaba de publicar um estudo em que, dentro de seu grupo — ou seja, os países emergentes somados aos latino-americanos —, o Brasil teve o pior desempenho econômico mundial em 2014, e repetirá o “feito” em 2015. No grupo dos Brics (Brasil, Índia, Rússia e China), apenas a Rússia teve desempenho pior. Mas a Rússia está em quase guerra com a Ucrânia, e é alvo de sanções econômicas. A conclusão do FMI é que o mau desempenho brasileiro, ao contrário do que grita o governo, tem causas internas.

Se um marciano aportasse na Alemanha em 1945,... Leia mais

Quão representativo é o governo democrático (e vice-versa)?

As democracias modernas têm sua origem nas formas de governo nascidas das experiências históricas da monarquia constitucional inglesa, da república norte-americana e da revolução francesa. No campo das ideias, o liberalismo, em suas várias correntes, impôs-se na formulação dos princípios ideológicos e dos modelos teóricos. Da conjugação das três experiências históricas e dos diversos matizes do pensamento liberal, há alguns elementos passíveis de serem identificados como inerentes à democracia moderna.

Um del... Leia mais

Deu na Folha

"O que há em comum entre os três livros da primeira leva [da Série Sexo] é que cada um quebra um tabu à sua maneira. [...] Penso que a escolha do texto do poeta e escritor vitoriano Algernon Charles Swinburne (1837-1909) [A Vênus de quinze anos], cuja obra pende para a pornografia, o sadomasoquismo, a necrofilia e a autoflagelação deve ter sido feita em razão de ele ter criado, 60 anos antes, uma Lolita tão picante quanto a de Nabokov. [...] O segundo livro, Leia mais

Contramão!

>>Coluna do Zlotnic

Disse Paulo Francis: não há vida inteligente acima de 25º Celsius! De acordo. Fosse eu prefeito, obrigaria, por lei, que a temperatura jamais subisse para além de certo limite pré-estabelecido (23º). Céu plúmbeo! Ventos! Essa é a boa paisagem para chamar a inspiração.

Obs.: Claro que, com esta plataforma, jamais serei eleito. Mas, muito antes disso, sem ser candidato, jamais serei eleito — pois até reunião de condomínio me causa arrepios.

Sou contra as temperaturas altas, como se vê. Mas sou contra também tantas outras c... Leia mais

A velha novela do conto e do romance


Quais e quantos subgêneros comporta a prosa de ficção? Este texto aborda a questão em si, da forma mais abrangente e sintética que foi possível. Mas se não se reporta a nenhum autor em particular, a discussão que o originou foi suscitada pela obra de H.P. Lovecraft. O mais consagrado autor do “terror metafísico”, herdeiro de Edgar Allan Poe e mestre de Stephen King, nunca escreveu um romance, mas, além de centenas de contos, talvez tenha escrito algumas novelas. Ou talvez não.... Leia mais

Poe, o inventor da modernidade



Ao escrever recentemente sobre a modernidade de Baudelaire — “Por que Baudelaire é moderno?” —, dei como uma das respostas seu contato precoce com a obra de Poe. A razão fica evidente se se lembra da conhecida taxonomia criativa de Ezra Pound: os artistas se dividem em inventores (que criam novas obras & novas formas de expressão ou revolucionam as antigas), mestres (que utilizam da maneira mais potente as inovações dos inventores) e diluidores (que diluem essas ino... Leia mais

A “grande mãe Rússia” no divã de seu maior analista, Dostoiévski

Se a Rússia, como dizem os russos, é uma mãe (“a grande mãe Rússia”), ela tem uma alma. E se a Rússia tem uma alma, quem melhor soube analisá-la foi Dostoiévski.

Na parte inicial de sua obra, ou seja, nos contos que escreveu entre sua estreia, com o aclamado “Gente pobre”, de 1846, até sua prisão, em 1849, o que se vê é o futuro grande interpretador da atormentada “alma” do povo russo em formação. Ou seja, o poder descritivo e a profundidade analítica do homem russo, suas crenças e circunstâncias, que afinal transcendem esse homem... Leia mais

Corpo: espírito e nervos

>> Blog da Anna P.

Há alguns anos decidi escrever sobre sexo. Não lembro se o primeiro impulso era registrar uma explosão de libido, compreender essa enorme potência ou ganhar um dinheirinho escrevendo sacanagem barata por aí. Acho que a última alternativa. Ainda não tinha superado a falta de confiança nas minhas capacidades que todas as mulheres aprendemos a ter – ainda não superei completamente.

Então fui ler toda literatura erótica/pornográfica que pude alcançar. E fiquei ented... Leia mais

A terceira invasão holandesa

O século XVII, no Brasil, foi um século mais longo do que o normal, ao menos pela quantidade de acontecimentos que nele ocorreram ou couberam. No âmbito literário, registra-se a criação da obra maior, em todos os sentidos, de Antonio Vieira (cujos principais sermões a Hedra acaba de relançar). Na esfera geopolítica, aconteceu quase tudo, com quase todo o mundo ocidental de olho na América do Sul e na Terra do Brasil. Principalmente a pequena grande Holanda, então uma potência naval, militar e comercial.

As coisas começaram em... Leia mais

O riso é como impressão digital

Cada um tem um jeito próprio de dar risada. A risada e o espirro revelam imediatamente a personalidade da pessoa. Até a origem social se manifesta numa gargalhada. Mas muito mais que isso. É, por isso, que alguns tapam a boca numa tentativa de brecar a nudez de espírito. Buscam mostrar menos da matéria de que são feitos. Mas fracassam: é como querer não se molhar debaixo de uma tempestade. Se o fluxo do riso já se deu, penetrou-se vários metros abaixo do iceberg da alma. Os subterrâneos da pessoa se manifestam... Rir é como descobrir-se subitamente sem calças numa cerimônia a rigor. A risada desarma o ho... Leia mais