Notas para tentar entender o terror



"Não apenas tem sido nosso governo parcial em assuntos de religião, como também aqueles que têm sofrido sob essa parcialidade e que, portanto, têm trabalhado através de seus escritos para justificar seus direitos e liberdades, na maior parte o têm feito baseado em princípios estreitos, condizentes somente com os interesses de suas próprias seitas. Essa estreiteza de espírito de todos os lados tem sido, sem dúvida, a principal causadora de nossas misérias e confusões. Mas, quaisquer que sejam suas causas, é agora mais do que tempo de procurar por uma completa cura. Precisamos de remédios mais pod... Leia mais

A história não se repete: ela se estende até a náusea

Por Marcus Mazzari, tradutor.

O famoso “caso de Damasco” – que originou de imediato uma série de artigos de Heine, publicados no Augsburger Allgemeine Zeitung – foi uma acusação de assassinato ritualístico levantada contra a comunidade judaica da capital síria em 1840. Durante vários meses, o caso ocupou a opinião pública internacional, levando a complexas negociações diplomáticas entre potências europeias, sobretudo a Áustria de Metternich e a França (governada então por Louis-Adolphe Thiers) e o Império Otomano e s... Leia mais

O que significou um dia ser intelectual?

>> Por Ricardo Lísias, tradutor e organizador de Eu acuso.


Quando, depois de uma carta interceptada e de uma obscura investigação, o capitão Alfred Dreyfus termina preso, acusado de alta traição, Émile Zola já tinha sido reconhecido como o maior escritor francês vivo. Um ano antes, em 1893, Zola havia colocado o ponto final no romance O doutor Pascal, o último de uma série de vinte livros. A coleção de romances, que já vinha fazendo sucesso enquanto era publicada, procurava dar conta, com o mesmo fôlego ro... Leia mais

Viajar é preciso

>> Por Sandra M. Stroparo, tradutora de Viagem em volta do meu quarto.


O leitor pode não se convencer logo no início, mas a companhia do narrador não será das piores e para o nosso tempo, mais consciente das várias possibilidades de trips inventadas e provocadas por nós, considerar uma viagem puramente intelectual e especulativa não gera dificuldade. A metáfora que se cria, claro, é literária, ou, em alguns momentos mais inspirados, de discussão filosófica – especialmente se usamos o sentido largo que o século Leia mais

Escravidão e atraso

É preciso conhecer história, e principalmente a história dos argumentos que garantiram ao Brasil o direito de retardar a escravidão por quase um século após a Revolução Francesa. «Cartas a favor da escravidão», escrito por nada mais nada menos que José de Alencar, foi redigido como documento para persuadir Dom Pedro II a tirar da cabeça ideias abolicionistas. Texto fundamental para entendermos porque até hoje o brasileiro se considera criativo, jovem, mestiço, mesmo vivendo num país dos mais desiguais e violentos do mundo.

Leia abaixo trecho da introdução do historiador Tâmis Parron, que dá as linh... Leia mais

Toda a vida e o melhor da obra de H.P. Lovecraft em 2 volumes

H.P. Lovecraft “permanece insuperado como o maior expoente do horror clássico”, nas palavras de Stephen King. De fato, são de Lovecraft os grandes clássicos do gênero, como “O chamado de Cthulhu”, “Nas montanhas da loucura”, “A cor que caiu do céu”, “A sombra de Innsmouth” e “O caso de Charles Dexter Ward”, todos publicados pela Hedra – e todos reunidos pela primeira vez, junto com suas outras narrativas mais importantes, no volume Leia mais

«Toda pessoa que a gente encontra está sempre no intervalo entre dois cocôs»


»» Coluna do Zlotnic

(Haicais Ocidentais)

1. Todos os cidadãos de todos os países do mundo deveriam votar nas eleições presidenciais de qualquer país da rede globalizada.

2. Desculpe-nos pelas obras, estamos em transtornos.

3. Lógica rápida: quando a essência vem à tona, ela sai do núcleo e estaciona na periferia, deixando, portanto, de ser essência.

4. Já é amanha? Não, ainda é ontem.

5. Uma lâmpada caiu na cabeça de Thomas Edison, que disse “eureca” e inventou a lâmpada.

6. Uma maçã caiu na cabeça de New... Leia mais

A «águia» na mitologia nórdica

A águia é um animal muito presente na literatura e nas mitologias do medievo europeu, geralmente simbolizada como mensageira dos deuses e do fogo celeste, mas também acompanhando grandes heróis. Enquanto substituto do sol em várias religiosidades euroasiáticas, foi um animal amplamente utilizado na heráldica e nas representações de realeza e nobreza.

Na mitologia nórdica a águia foi representada no topo da árvore Yggdrasill (Grímnismál 31), inimiga e oposta a uma serpente-dragão em sua base. A imagem de uma árvore cósmica cujo topo é habitado por um pássaro e em sua base/raiz por uma serpente ou dragão é comum a diversos povos espalhados pelo mundo, da Eurásia à América pré-colombiana, e como nas fontes nó... Leia mais

Ninguém nasce mulherão, torna-se mulherão

>>Blog da Anna P.


Há alguns anos, um amigo disse que sou um mulherão difícil de encarar. Fiquei perplexa. Era a primeira de muitas dispensadas desse gênero que eu iria colecionar a partir dali.

Hoje esse comportamento já não me surpreende: acho graça, tenho preguiça e, de vez em quando, fico triste. Afinal, o que significa esse tal de “mulherão”?

Em primeiro lugar, estou longe de ser uma mulherona. Não sou grande, nem gorda, nem voluptuosa. Em sentido literal, não tenho nada demais e poderia perfeitamente passar despercebida. Minha beleza se ... Leia mais

Afinal, o que há de errado com o Brasil?

O FMI acaba de publicar um estudo em que, dentro de seu grupo — ou seja, os países emergentes somados aos latino-americanos —, o Brasil teve o pior desempenho econômico mundial em 2014, e repetirá o “feito” em 2015. No grupo dos Brics (Brasil, Índia, Rússia e China), apenas a Rússia teve desempenho pior. Mas a Rússia está em quase guerra com a Ucrânia, e é alvo de sanções econômicas. A conclusão do FMI é que o mau desempenho brasileiro, ao contrário do que grita o governo, tem causas internas.

Se um marciano aportasse na Alemanha em 1945,... Leia mais