Informação, conhecimento, sabedoria

A incontrastável complexidade da mente humana, que não pode ser completamente descrita sequer por ela mesma, pode, no entanto, ser resumida a apenas três palavras – ao menos, no que se refere à sua capacidade de compreensão e interpretação do mundo e de si mesma: informação, conhecimento e sabedoria. Mas, afinal, o que os diferencia?

Até uma geração atrás, os atuais mecanismos de busca eram coisa de ficção científica (e isto vale tanto para os hardwares, como os smartphones em cada bolso e cada bolsa, quanto para os programas). Além disso, eles não tiveram um desenvolvimento incremental, pa... Leia mais

Drosóphila

>>Coluna do Zlotnic.

Dizem que se chama drosóphila. Não sei.

É a mosca da fruta. Ela não está na sua casa. Não tem ninguém em casa.

Então você vai ao mercado e compra banana. Uma dúzia. Leva pra casa, põe na fruteira.

Não demora muito, logo aparece uma mosquinha atraída pela banana. Onde ela estava antes da banana chegar? A mosca da fruta fica deitada em algum lugar da cozinha das casas das pessoas esperando a vida toda alguma banana chegar? Ou ela fica em pé? E, neste caso, não se cansa?

As palavras adormecidas nos livros são como as moscas da fruta. Elas ficam quietas até que algum leitor chega para l... Leia mais

Excertos de "1964: do golpe à democracia"

O livro "1964: do golpe à democracia" reúne textos e depoimentos inéditos de vários protagonistas da história brasileira recente, e também dos principais pensadores políticos contemporâneos. Além de intelectuais que vivenciaram o golpe da 1964 e os “anos de chumbo”, e hoje trabalham na restauração do sentido histórico dos acontecimentos e na indicação dos responsáveis pelos atos da ditadura militar, também comparecem pesquisadores que, em trabalhos recentes, trazem novas perspectivas para o debate.


PAUL SINGER:

"O regime teve grandes diferenças dentro dele. Tanto assim que o [general] Geise... Leia mais

Doutor, estou triste. Tem remédio?

O “remédio” para a tristeza é a depressão. Por isso quase ninguém mais fica triste, mas tantos estão sempre um tanto deprimidos. É muito raro escutar: “Estou triste”. Tanto quanto é comum ouvir: “Estou meio deprimido”. Por dois motivos: porque a tristeza não tem mesmo remédio, mas a depressão, sim (antidepressivo é hoje uma palavra tão comum quanto bom-dia). E porque a tristeza, ao não ter remédio, também não tem decoro, não tem bons modos, não se adéqua nem se adapta a uma época cuja crença principal é haver cura para tudo. A tristeza acaba com a alegria da credulidade contemporânea. Por isso, não fique triste: fiqu... Leia mais

O Marquês de Sade e Sacher-Masoch no cancioneiro brasileiro

>>Coluna do Glauco Mattoso.


O texto dialogado abbaixo tem por interlocutora Beatriz Goldonut (a Bia), que tracta o poeta por "tu". O texto original foi reorthographado de accordo com o systema anterior a 1943, por opção esthetica do auctor.

– Glauco, hoje vou ser sadica comtigo: si não tiveres resposta prompta p'ras minhas questões, tiro os bollinhos do teu alcance...

– Orra, Bia, cada maldade que você inventa! Que pergunta tão complicada é essa?

– Ja estamos no... Leia mais

O prazer de ler em suas mãos

Na contramão do atual “erotismo de butique” e da pornografia despida de valor estético, a Hedra lançou há pouco sua “Série Sexo”, para provar que a expressão “literatura erótica” pode ser igualmente forte nos seus dois termos. A "Série Sexo", cujos livros sempre formam um ménage à trois, ou seja, são publicados em grupos de 3, segue agora com novos títulos que dão mais um giro no parafuso [já em pré-venda: de 14 a 30/04; entrega a partir de 04/05, com prazo de 15 dias]:

Poesia vaginal – cem sonnettos sacanas, de Glauco Mattoso, reúne, nas palavras ... Leia mais

Walt Whitman, ou A ascensão e a queda da poesia moderna

Inserindo v?deos do YouTube em uma p?gina HTML

[Excerto do filme ... E o Vento Levou (1939).]

Folhas de relva é um dos marcos fundadores da moderna poesia ocidental. Isto dito, o livro possui características particulares dentro da tradição moderna, que a introdução do tradutor desta "edição do leito de morte" sintetiza com grande acuidade e não menor abrangência:

"Wa... Leia mais

A alta modernidade de Machado de Assis



Em 1895, Sigmund Freud publicou em Viena Estudos sobre a histeria, e em 1899, aquele que seria considerado o livro inaugural de sua topografia psíquica (baseada na ponta do “iceberg” do ego emerso do profundo oceano do inconsciente), A interpretação dos sonhos. Entre as duas datas, saía no Brasil, em 1896, Várias estórias, de Machado de Assis, contendo alguns dos melhores contos já escritos em língua portuguesa. E entre eles, aquele que provavelmente é a obra-prima insuperável do conto brasileiro, O cônego ou a metafísica do estilo... Leia mais

Jörmungandr, a Serpente de Midgard

por Snorri Sturluson [1179-1241].

O deus Loki teve três filhos com a gigante Angboda: Fenrir, Jörmungandr e Hel. Fenrir era um lobo terrível, que cresceu até ter um tamanho gigantesco, e causava tanta destruição que os outros deuses tiveram de prendê-lo, mas tão poderoso era que só depois de muitas tentativas conseguiram; Hel foi encarregada por Odin do reino subterrâneo dos mortos; e quanto a Jörmungandr, a Serpente de Midgard, era tão horrível que assim que Odin a viu atirou-a no fundo do mar.

No meio do oceano essa serpente cresceu tanto que acabou dando a volta na terra toda, com sua boca m... Leia mais

Escravidão e liberdade: três visões

Antonio Vieira: “Oh se a gente preta tirada das brenhas da sua Etiópia, e passada ao Brasil, conhecera bem quanto deve a Deus, e a sua Santíssima Mãe por este que pode parecer desterro, cativeiro, e desgraça, e não é senão milagre, e grande milagre! Dizei-me: vossos pais, que nasceram nas trevas da gentilidade, e nela vivem e acabam a vida sem lume da Fé, nem conhecimento de Deus, aonde vão depois da morte? Todos, como já credes e confessais, vão ao inferno, e lá estão ardendo e arderão por toda a eternidade. E que perecendo todos eles, e sendo sepultados no inferno como Coré, vós, que sois seus filhos,... Leia mais