Santos Dumont por si mesmo

Alberto Santos Dumont escreveu quatro livros durante sua vida. O primeiro, nunca publicado, só é conhecido através de um manuscrito com algumas folhas que se perderam no tempo. Era, na época [cerca de 1902], a única pessoa a conseguir voar.

Ganhara então o grande prêmio de dirigibilidade ao contornar a torre Eiffel e voltar a Saint Cloud em menos de 30 minutos; feito demonstrações em Mônaco e visitado a Inglaterra e os Estados Unidos. Era The King of the Air, como o chamavam os jornais americanos. Neste contexto também escreve Comment je suis devenu aéronaute [Como me tornei aeronauta], nunca publicado.

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O que Dostoiévski e Godard têm em comum?

Godard [1930] é reconhecidamente um dos cineastas mais chocantes da nouvelle vague. Dostoiévski [18121 -1881], um dos autores russos mais populares de todos os tempos. Apesar de uma grande diferença entre o nascimento de um e do outro e a diferente abordagem de assuntos em cada obra, há algo que os aproxima. Mas qual seria a intersecção?

O paralelo entre os dois aponta para dois vetores: Os demônios, de Doistoiévski, uma obra que não se limita a atacar meramente o niilismo por meio de tipos caricatos, mas explora os caracteres dos personagens com tais tendências ideológicas levando-os às últimas ... Leia mais

Visconti e Dostoiévski: breve pauta sobre nossa mostra de cinema

Noites brancas, do cineasta italiano Luchino Visconti, foi exibido no nosso Cine Fradique, o Cine clube do Espaço Hedra + AMP que fica na Vila Madalena, em São Paulo, parte do Ciclo de cinema | Dostoiévski. A mostra foi organizada em comemoração ao nosso mais novo lançamento, Diário de um escritor (1873): meia carta de um sujeito, de Fiódor Dostoiévski, a reunião dos textos que o autor russo tinha escri... Leia mais

Dostoiévski e a pintura russa

A fama de Dostoiévski não foi causada por sua condenação à prisão, nem pelas “Recordações da casa dos mortos”, nem mesmo por seus romances – ao menos não principalmente por eles –, mas pelo “Diário de um escritor”. Foi o “Diário” que tornou seu nome conhecido em toda a Rússia, que o fez mestre e ídolo da juventude, sim, e não apenas da juventude, mas de todos aqueles torturados pelas questões que Heine chamou “malditas”. [Elena Andrêievna Stakenschneider]

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Na Apresentação de Diário de um escritor, o lançamento de feverei... Leia mais

O enigma Orides desvendado

Orides Fontela se revelaria a poeta mais importante de sua geração — que reúne nomes como Hilda Hilst, Adélia Prado, Roberto Piva e Paulo Leminski.

Descoberta pelo crítico e professor da USP Davi Arrigucci Jr. através de um poema publicado no jornal de sua cidade, São João da Boa Vista, em 1965, construiu aos poucos um irresistível quadro em que tornou-se a aguardada e, porque não, buscada [por boa parte da mais importante crítica literária e acadêmica — como Antonio Candido, que viria a se tornar seu amigo pessoal] revitalizadora da poesia brasileira: uma jovem poeta que, a... Leia mais

A escravidão fora dos livros didáticos



Nesta sexta-feira, dia 20 de novembro, temos o dia da consciência negra no Brasil, implantado como feriado em decorrência da morte de Zumbi dos Palmares (1695), líder do quilombo dos Palmares. A admissão desta data, dada somente em 2003, é uma das principais vitórias do movimento negro de luta contra o racismo – o que, muito infelizmente, não garante que o preconceito, os ideais retrógrados e a falta de integração dos negros à sociedade tenham chegado ao seu auge de consciência.

A escravidão deixou marcas graves... Leia mais

Um retrato psicanalítico de Dilma

Dilma Rousseff e o ódio político, ensaio conciso e escrito no calor da hora pelo psicanalista Tales Ab'Sáber, analisa como ponto de partida o imenso impacto simbólico do governo de oito anos de Lula – impacto esse descrito pelo autor como uma junção de ações governamentais e de fatores econômicos, mas, principalmente, como uma complexa gestão política do poder. Frente a isso, o ensaio torna-se um espelho invertido de seu livro anterior, Lulismo, carisma pop e cultura anticrítica.

Ab'Sáber elenca, portanto,... Leia mais

Uma pequena nota sobre notas

As notas de rodapé dividem montanhas de livros. Há editores que preferem deixá-las ao fim da página, mais discretamente, como se importassem somente para aqueles que saem de uma sala de cinema, ainda com os olhos acostumados à escuridão, e decidem ler algo sobre o diretor ali mesmo, no calor da hora. Outros simplesmente condenam o hábito de anotar como algo fora de moda, ou pior, fora de gênero.

É verdade que nem toda história é digna de notas. Já vi notas de rodapé em gibis, mais incômodas do que cabelo em salada. Mas as que mais me irritam são mesmo as de tradutores que simplesmente não conseguiram chegar a uma... Leia mais

Qual o modelo da tevê brasileira? O pior.

Por que a tevê brasileira seguiu o modelo comercial?

por Paulo Henrique Amorim.

“A televisão surgiu no Brasil como desenvolvimento da tecnologia do rádio, e incorporou naturalmente seu modelo de negócios: o modelo comercial. Foi Getúlio Vargas quem optou formalmente pela existência das emissoras comerciais, logo no primeiro ano de sua chegada ao poder, após a Revolução de 1930. O Decreto 20.047, de 27 de maio de 1931, autorizou a publicidade nas transmissões, limitada a 10% do tempo de cada programa. Além disso, a duração de um comercial não poderia ser superior a 30 segundos. Em tese, Vargas ... Leia mais

A Pax Gay

A Suprema Corte dos EUA acaba de aprovar o casamento gay e a notícia correu o mundo: bandeiras foram alçadas nas redes sociais e nas ruas por toda parte, e uma certa “pax gay” foi aclamada. Mas, afinal, do que estamos falando?

A violência contra gays ainda vem de todos os lados, principalmente do Estado – por ação direta ou omissão. Para combatê-la, é preciso conhecer a história da violência e o estatuto da homossexualidade, lembrar o que dizia a ciência até há pouco e saber quais eram as políticas de governo, além de ampliar o campo de luta.

Poucos talvez saibam que, somente no dia 17 de maio de 1990, a homossexualidade deixou de ser... Leia mais