Tolstói explica a crise da Ucrânia

Quando se acreditava que a Europa, depois de duas guerras mundiais e da queda do muro de Berlim, em 1989 (com a consequente reintegração econômica e cultural do leste europeu ao restante do continente), iria afinal viver em paz, a guerra civil na Bósnia, e agora a quase guerra civil na Ucrânia, vieram para dizer o contrário. A velha Europa não está suficientemente cansada da guerra.

Se a crise da Ucrânia é recente, reatiçando o urso russo e sua insaciável fome imperial-territorial, a história por trás dessa história começa na metade do século XIX, durante a Guerra da Crimeia, em que os russos lutaram contra os turcos pela mesma península que, agora, recém retomaram dos ucranianos sem disparar (ainda) um tiro, com o apoio da maioria étnica russa local.

A Crimeia é a chave para o controle do Mar Negro, e Sebastopol, sua capital, a chave para o controle da Crimeia. Daí o famoso cerco de Sebastopol pelas forças conjuntas dos impérios turco e britânico (1854-55), para tomar a cidade dos russos, de cuja defesa Tolstói participou como oficial do exército do czar. Sua experiência é narrada em Contos de Sebastopol.

Escrita em três momentos sucessivos da guerra, a obra apresenta em imagens vivas a transformação física e existencial da cidade e de seus habitantes: da riqueza à decadência, em paralelo à transformação psicológica dos homens, da esperança ao desespero.

Luis Dolhnikoff, editor

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