Mural de vídeos: «Refugiados de Idomeni»


«A vida em Idomeni era muito ruim, na verdade, não era vida. […] Não havia acomodação, a comida era muito ruim. Não havia vida.»

O pequeno vilarejo de Idomeni, localizado na fronteira da Grécia com a Macedônia, era uma comunidade de aproximadamente 150 moradores, que viviam basicamente da agricultura. No entanto, com a guerra civil síria e outros conflitos globais, o local virou um ponto crucial na rota de fuga dos refugiados para a Europa. Assim, Idomeni passou do anonimato para alvo da imprensa internacional, especialmente após o fechamento das fronteiras aos então transeúntes, o que o tornou um dos maiores campos de refugiados da Europa, chegando a abrigar catorze mil «novos residentes».

Gabriel Bonis, pesquisador e especialista em direito internacional para refugiados, viveu durante sete meses em Idomeni e acompanhou de perto a crise que eclodiu na região. Sua experiência fez emergir, das profundezas do caos de uma população dilacerada por diversos conflitos, relatos em primeira mão de seus sobreviventes, que foram obrigados a enfrentar acampamentos sem nenhuma infra-estrutura, com temperaturas congelantes e ventos intensos, sempre com a esperança de que as fronteiras se abrissem novamente para eles.

«O fechamento definitivo da fronteira alterou pela última vez o perfil dos refugiados em Idomeni. A alta demanda por cuidados de saúde primária foi superada pelos atendimentos de nível secundário, uma vez que, agora, a maior parte dos residentes do centro de transição era composta por mulheres (muitas delas grávidas), crianças, idosos e portadores de deficiência física […] O drama enfrentado pelos refugiados em Idomeni ganhou espaço relevante na mídia internacional e nas agendas de políticos europeus, mas esqueceram-se de que parte daquelas pessoas não podia esperar por um longo período para terem seus problemas solucionados.»

Na nossa série de vídeos, o autor dá seu depoimento sobre a vivência em Idomeni e como essa crise afetou tanto os refugiados quanto os moradores desse vilarejo.

Assista às perguntas&respostas a Gabriel Bonis abaixo:

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