Editorial · Minha opinião sobre «A mulher que virou tatu»


As narrativas indígenas da Coleção Mundo Indígena me encantam, principalmente, pelo impulso natural de linguagem. As formas simples de escrita e linguagem — simples, mas grandiosas — me encantam. Nos livros, existe uma fluidez imensa que torna a leitura agradável, divertida e emocionante.

Um dos meus livros favoritos, dos sete que reúne, é A mulher que virou tatu. A história, singela, me surpreendeu, principalmente, na descrição lenta e ao mesmo tempo concisa de como um ser humano se transformou em animal. No caso, como dado no título, um tatu: bicho com hábito de morar em tocas, na terra. Além do tatu ser comum dentro do cotidiano da região do povo caxinauá, paralelamente, dentro do contexto da história, as tocas podem também ser tomadas como um fato trágico — dada a semelhança com o corpo humano que, ao morrer, se mistura com a terra.

O livro exemplifica alguns traços da cultura caxinauá, como o modo que as famílias se relacionam com os entes mais velhos e os alimentos que são base de sua nutrição, como o milho (vide imagem ilustrativa do artigo, acima do texto).

Além da linguagem fácil e direta, que faz com que nós, leitores, nos aproximemos da história, outro ponto alto são as ilustrações que permeiam e ornam as páginas. A mistura de cores, contrastes e padrões geométricos, impressos em técnica risograph, não reduz o conto à própria beleza da edição: mas faz com que ambos, texto e imagem, se complementem para um resultado final mais emocionante. É um belíssimo recorte da cultura caxinauá, artístico e despretensioso.


Por Ana Clara Cornelio, comunicação e marketing.

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